quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Acompanhamento Terapêutico e Família

O trabalho do acompanhante terapêutico exige determinação e muita paixão.
Trabalhamos em um setting terapêutico muito diferente do setting da clínica tradicional, é como em um teatro onde já existe um contexto definido e papéis estabelecidos, então, alguém esquece a sua cena e a família nos chama, esperando assim que façamos com que este ator, volte para a sua cena e seu papel determinado e não estrague a peça.
A loucura é vista como algo que precisa ser consertado, e a família espera que o AT conseguirá fazer com que o individuo louco exerça novamente as funções que exercia. A famÍlia chama um AT, com o intuito de que este consiga fazer o paciente voltar a realidade, gerando um conflito de interesses, pois o AT não vem para “consertar o que está errado”, mas para acompanhar o paciente em seu percurso, em sua viagem.
O AT deve estar ao lado do paciente, acolhendo-o da maneira que ele é, isto significa que não deve-se podar as suas diferenças, mas pensar nelas e lançar estratégias para inserir esse individuo de alguma maneira na sociedade.
Não é possível transformar um psicótico em um neurótico, apesar de sabermos disso, a família não sabe, e espera ao final do trabalho, ter de volta o parente querido.
Os sonhos da família são diferentes dos sonhos do paciente, e o AT, precisa levar em consideração as duas coisas, cuidar do paciente e acolher a família.
O trabalho do AT levará a mudança na vida do paciente e isso implicará que a família também se reorganize para acompanhar essas mudanças.
O problema é que em grande parte das vezes, a família não está disposta a se modificar, podendo assim frustrar e atrapalhar o trabalho do AT, com o paciente.
Nesse momento para realizar o seu trabalho, o AT precisa ter estratégias para tomar a família como amiga e não como inimiga.

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