sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A Clínica e o Impulso de Retorno ao Útero.


Há uma característica no ser humano que é o impulso de retornar ao útero. Na maioria das vezes esse impulso é percebido, através de brincadeiras, fantasias inconscientes, lendas e mitos.
Em situações de perigo, também é comum que o indivíduo procure a posição fetal. Isso é notado clinicamente em pacientes psicótico.
O útero seria então um lugar seguro, de acolhimento e proteção. Assemelhando-se ao útero a clínica (consultório), possibilita que o paciente sinta-se seguro para regredir e viver com o terapeuta emoções possíveis de serem interpretadas.
Assim, através dessa interação terapeuta-paciente o mesmo encontra uma maneira de reestruturar o seu emocional, abandonando defesas prejudiciais e alcançando uma proteção interior. Dessa forma, o útero seria então um lugar de suprimento, onde se busca a energia necessária, um reencontro consigo, um renascimento, saindo dessa experiência então, mais forte e renovado.
Por outro lado, algumas culturas, principalmente as mais primitivas, visam afastar o menino guerreiro do seio materno como forma de fortalecimento e de sair de uma posição de dependência. Na menina a identificação com a mãe é automática, enquanto que no menino, para acontecer à identificação com o pai, é preciso uma separação traumática com a mãe.
Talvez o temor dessas culturas, seja o fato da mulher estar associada historicamente com o poder de permitir o retorno ao útero (permitir entrar e sair), conseqüentemente pode haver o medo da perda da identidade.
A igreja pode também ser vista como um segundo útero, mas que vem perdendo forças e fieis no sentido que tem se separado de rituais, o místico atrai, nos povos primitivos a comunidade e a cultura sobressaiam à pessoa. Atualmente é a pessoa que sobressai sobre a cultura e a comunidade. (cada um por si).
Muitos mitos falam dessa fantasia de retorno ao útero: O mito bíblico de Jonas engolido pela baleia; o mito de Teseu e o minotauro, o mito da esfinge entre outros.
A boa mãe então é aquela que auxilia o filho a não ficar em uma posição de dependência oferecendo-lhe meios de sair de tal aprisionamento e alçar novos vôos.


"baseado no texto de: Pacheco e Silva, A.C.F, 2002."

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