sexta-feira, 13 de abril de 2012

Um pouco de Paz


Meus pacientes estão sempre me despertando idéias e reflexões, as vezes penso se não seria uma análise conjunta, que me perdoeem os psicanalistas tradicionais.
Esta semana no consultório, ouvi a frase: “Preciso de um pouco de paz”. E não foi somente uma vez, o que me fez refletir e me debruçar na angústia desse outro que se coloca em minha frente ansioso por um “conselho”.
Fico a pensar se existe mesmo uma formula ou um manual onde se possa encontrar o caminho para a paz ou para a felicidade. Acredito que sempre carregamos um pouco da criança que fomos em cada um de nós na vida adulta, mas ainda não não concluam nada, vamos continuar refletindo.
Se pensarmos na alegria, no bom humor e na esperança da criança, sim, é maravilhoso. O problema é quando carregamos as fantasias infantis, de um (a) homem (mulher) perfeito idealizado (a), uma familia tão feliz quanto os comerciais de margarina pela manhã. Aquele trabalho onde eu entro e saio todos os dias realizado.
Não sou contra a felicidade, pelo contrário, corro junto e com ela todos os dias, mas não percebemos que vamos aos poucos nos enrigecendo com regras sociais e nos impondo uma série de ideais inatingiveis e dolorosos, apenas para que possamos depois achar que somos os mais infelizes do mundo.
A “semeadura é livre a colheita obrigatória”, conheço essa frase desde criança e ainda a uso com meus pacientes, as nossas escolhas refletem sobre o que somos e o que nos tornaremos, se alguma delas nos levou para um lugar que não está sendo agradável, podemos modificá-las, não se perturbe se está dificil fazer isso sozinho, quando criança tinhamos as rodinhas extras que nos auxiliaram a andar de bicicleta, com o tempo fomos adiquirindo o equilibrio necessário para continuarmos sozinhos, aproveitando o vento no rosto e as cicatrizes que hoje nos causam risos quando nos lembramos das quedas.
E essas quedas puderam nos dar a força e o desejo de continuarmos tentando só para sentir a liberdade de seguirmos na direção que escolhemos.
Bem, deixei para o último momento mas vou confessar. Não tenho os conselhos, menos ainda os manuais. O que tenho talvez seja um imenso interesse pela vida humana que é compartilhado com os que entram e saem do meu consultório.
E assim vamos escrevendo nossas histórias, ou seja, autor e ator ao mesmo tempo.
Abraços

Um comentário:

  1. "As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade." Lamentações 3:22-23

    Que sua semana seja uma benção

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